Archive for April, 2008

Alteração hormonal nas amêijoas provocada por químicos nas águas pode afectar fertilidade humana

Compostos químicos presentes em detergentes e lançados em zonas costeiras através dos esgotos estão a provocar alterações hormonais em amêijoas brancas que podem estar relacionados com problemas de infertilidade de quem as consome, segundo uma especialista da Universidade do Algarve, em entrevista à agência Lusa.

O fenómeno foi detectado pela primeira vez em Portugal, no Rio Guadiana, por uma equipa de investigadores do Grupo de Ecotoxicologia e Química Ambiental do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve (UAlg).

A alteração sexual em búzios - que provoca que fêmeas se tornem machos -, já era conhecida, mas a alteração inversa na amêijoa branca (ou lambujinha) é um fenómeno mais recente.

Segundo Maria João Bebianno, coordenadora daquele grupo, alguns compostos de detergentes ou medicamentos - lançados no ambiente através dos esgotos - estão a alterar o funcionamento normal do sistema endócrino das amêijoas brancas. O fenómeno dá pelo nome de “intersex” e consiste na existência simultânea de características femininas e masculinas no mesmo organismo.

Estas alterações podem não só implicar falhas reprodutivas e consequentes rupturas nos “stocks” de amêijoas brancas como afectar o funcionamento hormonal das pessoas que as ingerem, diz a especialista.

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Tratamento de infertilidade menos intensivo gera embriões de “maior qualidade”

Um tratamento de infertilidade feito de modo menos intensivo pode resultar na obtenção de embriões de qualidade genética superior aos dos tratamentos convencionais e até em maior número de gravidezes bem-sucedidas.

No estudo agora realizado, a equipa da universidade holandesa de Utrecht, coordenada pela embriologista Esther Baart, aplicou um tratamento hormonal menos intensivo a um grupo de cem mulheres, com o objectivo de comparar os resultados com outro grupo, de igual número de mulheres, sujeito ao tratamento de estimulação convencional.

No grupo que recebeu o tratamento menos intensivo obtiveram-se, à semelhança do que aconteceu no outro grupo, entre oito e 12 óvulos após a estimulação ovárica. Na análise dos embriões, obtidos por um e por outro método, a equipa de Baart descobriu que o tratamento menos intensivo permite obter menor número de embriões com problemas genéticos. O estudo mostrou que 73% dos embriões obtidos através do tratamento convencional tinham defeitos genéticos, enquanto nos embriões resultantes do tratamento alternativo essa taxa era de 55%.

Em declarações ao jornal britânico “The Guardian”, a líder da investigação explicou que a grande vantagem deste tratamento menos intensivo reside no facto de as mulheres correm muito menor risco de desenvolver um problema potencialmente fatal, designado por síndrome de hiperestimulação ovárica.

Fontes: Diário de Notícias e Imprensa Internacional
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Cientistas identificam região envolvida na Doença de Machado-Joseph

Uma equipa internacional, na qual se integram investigadores da Universidade de Coimbra, provou o envolvimento do estriado cerebral na doença de Machado-Joseph, que tem elevada incidência na ilha das Flores, nos Açores. O trabalho foi publicado na revista “Human Molecular Genetics”.
Esta descoberta explica, segundo o estudo, as perturbações de movimento e equilíbrio associados a esta patologia.

Em declarações à agência Lusa, Luís Pereira de Almeida, que coordenou a equipa de investigadores portugueses, “a doença resulta de uma mutação do gene que codifica para uma proteína, a ataxina-3″.

“A mutação consiste no aumento do número de repetições do trinucleótido CAG no gene da ataxina-3, resultando numa alteração da proteína que a torna tóxica por um mecanismo ainda desconhecido”, explicou.

O trabalho envolveu o desenvolvimento de um modelo animal da DMJ que se baseou na utilização de vectores virais que permitiram introduzir nas células alvo do cérebro do rato o ADN que codifica para a ataxina-3 mutante.

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Estudo explica como intoxicação alimentar pode matar seropositivos

Um grupo de cientistas da University California em Davis, nos EUA, descobriu por que as bactérias do género Salmonella podem ser fatais em seropositivos. As descobertas, publicadas na revista “Nature Medicine”, também podem ajudar a explicar por que razão o vírus HIV não responde ao coquetel de fármacos.

Normalmente, esses microrganismos bacterianos não causam mais que sete dias de diarreia, mas em pacientes com HIV, a contaminação pode muitas vezes conduzir à morte. Os cientistas descobriram o defeito na resposta imunitária que permite que a Salmonella cruze a barreira mucosa do intestino, entre na corrente sanguínea e infecte outros órgãos.

De acordo com o estudo efectuado em animais, a infecção do intestino pelo vírus resulta na eliminação de um tipo específico de glóbulo branco, denominado de Th-17, na mucosa intestinal. Essa célula é responsável pela produção de uma “substância mensageira” que tem um papel importante na resposta inflamatória, alertando outras células do sistema imunitário para combater a infecção.

Além de enfraquecer o intestino no seu combate à Salmonella, a própria região fica mais vulnerável à acumulação de partículas do HIV. Segundo os investigadores esta descoberta ajuda a explicar como o vírus consegue escapar ao efeito dos potentes fármacos, dado que o intestino, desprotegido, torna-se num reservatório natural do vírus no corpo.

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Identificado gene que causa anemia ferropénia que não responde a terapêutica oral

Um estudo publicado na revista “Nature Genetics” sugere uma nova explicação para a anemia por falta de ferro que não responde à terapêutica oral.

A anemia ferropénica é, normalmente, atribuída à perda crónica de sangue ou a uma dieta inadequada. Neste estudo, os cientistas analisaram indivíduos de cinco famílias que apresentavam a deficiência.

Segundo o líder da investigação, Karin E. Finberg, da Boston University, nos EUA, foram identificadas famílias com vários indivíduos que não respondiam ao tratamento oral, mas que respondiam à administração intravenosa. Esta constatação reforçou a teoria de que, nesses casos, a deficiência de ferro fosse causada por mutações genéticas.

O estudo concluiu que, em casos em que a terapêutica oral não é eficaz, o problema pode ter origem em mutações no gene TMRSS6, que codifica uma proteína sérica da transmembrana tipo II produzida pelo fígado que regula a expressão da hepcidina reguladora do ferro sistémico.

Em resultado disso, os doentes não conseguem produzir eficazmente novos glóbulos vermelhos, dado que a hepcidina “prende” o ferro nas células macrófagas. O que, por sua vez, pode explicar a falta de eficácia das injecções de ferro. A descoberta poderá ainda ajudar doentes com excesso de ferro, bloqueando o gene em causa e interrompendo a absorção da substância pelo intestino.

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Cabeleireiros correm maior risco de contrair cancro

Os cabeleireiros correm um risco acrescido de contrair um cancro devido aos corantes de tintas para o cabelo e outros produtos químicos que utilizam, indica um artigo publicado na revista “Lancet Oncology”.
Num artigo publicado na edição de Abril, a agência responsável pela investigação do cancro da Organização Mundial da Saúde, com sede em Lyon na França, destacou que existem milhares de cabeleireiros e barbeiros em todo o mundo a exercer uma profissão que os expõe a substâncias cancerígenas.

Nos homens existe a possibilidade de aparecimento de um cancro na bexiga, um risco menor nas mulheres que exercem esta profissão.

No entanto, os especialistas reunidos em Lyon, em Fevereiro, não encontraram relação no aparecimento da doença e a utilização dos produtos de coloração nas pessoas que o fazem a si próprias.
A acompanhar o artigo da “Lancet Oncology” está uma monografia que revê todos os produtos utilizados em cabeleireiros, disponível em http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol57/volume57.pdf.

Fontes: Lusa e Imprensa Internacional
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Portugal exporta mais fármacos que vinho do Porto

As empresas farmacêuticas nacionais exportam cerca de 400 milhões de euros de medicamentos, mais do que as vendas anuais de vinho do Porto, que rondam os 330 milhões de euros, revela uma notícia publicada no jornal “Diário Económico”.

De acordo com o mesmo jornal, as vendas de fármacos no estrangeiro estão a crescer 16% ao ano, tendo o grosso das exportações crescido 7% no último ano. A mesma publicação acrescenta que indústria nacional tem como mercados fortes os países africanos de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde e Moçambique) os países francófonos (Senegal, Costa do Marfim, Argélia, Tunísia), a Polónia e o Brasil.

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Farmacêuticos portugueses criam associação de consultores

A Associação de Farmacêuticos Consultores (AFC) foi constituída no início deste mês, com o objectivo de divulgar e promover o acompanhamento farmacoterapêutico dos doentes portugueses através de campanhas de sensibilização da opinião pública e formação aos farmacêuticos na área de consultoria.

Nos últimos anos, a polimedicação (toma em excesso de medicamentos) tornou-se um problema de extrema gravidade, sobretudo na população sénior. “Muitos destes fármacos foram prescritos por médicos, mas a liberalização dos medicamentos não sujeitos a receita médica, a massificação do consumo de suplementos dietéticos e o recurso à fitoterapia criaram uma situação de descontrolo farmacoterapêutico, que exige um acompanhamento que não está a ser efectuado por ninguém”, explica Joana Palhares, farmacêutica e fundadora da AFC.

A recente Associação de Farmacêuticos Consultores de Portugal pretende, por isso, que os farmacêuticos dêem um apoio personalizado aos doentes, garantindo que, a cada caso, seja fornecida informação actualizada sobre os medicamentos tomados e as patologias associadas.

Os farmacêuticos que quiserem associar-se à AFC poderão contactar Joana Palhares (jspalhares@gmail.com).

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Terapia combinada com sinvastatina/ fenofibrato em Diabetes tipo 2

A terapia combinada sinvastatina e fenofibrato é melhor do que qualquer um dos fármacos tomados isoladamente no tratamento de Dislipidemia mista em pacientes com Diabetes tipo 2, de acordo com as conclusões de um artigo publicado na revista “American Journal of Cardiology”.

A Dislipidemia caracteriza-se por diversas irregularidades lipídicas, como altas taxas de LDL (o mau colesterol), baixas taxas de HDL (o bom colesterol) e altos níveis de triglicerídeos.

A equipa do Intermountain Medical Center and LDS Hospital, em Salt Lake City, Utah, liderada por Joseph Brent Muhlestein, avaliou os efeitos da sinvastatina isolada, do fenofibrato isolado e da combinação de sinvastatina e fenofibrato sobre os componentes lipídicos de 498 pacientes com Diabetes tipo 2 e sem doença cardíaca.

A terapia combinada reduziu o colesterol de lipoproteínas de densidade muito baixa, de modo significativamente maior, do que o fenofibrato ou a sinvastatina administrados isoladamente. A sinvastatina reduziu o colesterol de lipoproteínas de densidade intermédia de maneira significativamente superior ao fenofibrato.

A percentagem de colesterol LDL de padrão B constituindo o colesterol LDL total foi significativamente reduzida pelo fenofibrato (uma redução de 13,7%) e pela terapia combinada (uma redução de 11,1%), mas não pela sinvastatina.

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Novo fármaco protege dos efeitos nocivos da Radiação

Um fármaco, testado apenas em animais, comporta um efeito protector contra os efeitos da radiação, aponta um estudo publicado na revista “Science”.

O fármaco, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Lerner, em Cleveland, nos EUA, despoleta um mecanismo biológico que protege as células saudáveis dos golpes de radiação.

Intitulado “CBLB502”, o fármaco pode ser altamente útil em doentes oncológicos, sob tratamento de Radioterapia, ou em episódios de desastres nucleares, como o de Chernobyl.

Testes realizados em ratinhos e macacos sugeriram que o “CBLB502” protege as células saudáveis da medula óssea e do aparelho digestivo contra a radiação, mas não parecem proteger as células cancerosas, que continuam vulneráveis à Radioterapia. No teste com animais também não houve sinais de efeitos secundários.

A radiação causa danos, dado que leva as células a cometer “suicídio”. Mas, nesse processo, as células saudáveis também podem morrer. Segundo o líder da investigação, Andrei Gudkov, do Instituto Lerner, o novo fármaco inibe a proteína que inicia o “suicídio” celular, mas não diminui os efeitos terapêuticos.

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